segunda-feira, 2 de março de 2026

Essência em tempos de rede social


Eu tenho cerca de dez rascunhos para postar, mas essa postagem não foi programada, e sei que é cedo (já que publiquei algo ontem) para postar qualquer coisa . Eu poderia escrever isso no meu diário virtual, mas acredito que este texto se encaixa mais aqui. Meu diário é mais para reflexões pesadas.Estou aqui novamente com o dilema de fechar meu Instagram pessoal. Escrevi um texto sobre ter saudades da Marcela que fui aos 31 anos  aquela que não tinha medo e que apenas era. Quando foi que a gente deixou o medo dominar? Não falo de forma geral, mas de nós, que somos mais reservados.

Será que os fantasmas do bullying ainda andam nos assombrando, a ponto de querermos ser anônimos? Porque muitos têm a capacidade de falar de detalhes tão pessoais, mas sem mostrar o rosto. Sei que a vida precisa de um pouco de reserva, mas tive um stalker, e bem… isso me traumatizou bastante, mesmo sendo reservada e low profile (algo que não sou tanto hoje em dia).Não estou aqui para atacar quem tem seus cantos virtuais (independente da plataforma) sem mostrar o rosto. Mas eu me pergunto: quando foi que a gente começou a ter medo?

Quando foi que ficamos com medo de compartilhar partes inofensivas do nosso mundo? Quando foi que ficamos com tanto medo de ser julgados? Às vezes navego em blogs que já estão sem atualizações há uma década, e fico maravilhada com a naturalidade com que as pessoas postavam suas coisinhas. E o mais interessante: a maioria sem expor de forma exagerada suas vidas.

Essa reflexão me causa um certo incômodo, não por conta do outro, repito, eu respeito e não estou aqui para impor nada, mas porque me pergunto quando foi que deixamos para trás essa coisa quase inocente de compartilhar a vida sem ser performático? O problema não é ter rede social, é o que a gente consome nela. A gente acaba se comparando, e isso é tão injusto com a gente.

Não visito muitos blogs, tenho um certo limite, mas aqueles que me cativam são os que falam das miudezas do cotidiano. Isso me dá um respiro, uma paz… Mas há coisas que eu só encontro no Instagram, e não tem como eu me limitar totalmente  escolhendo apenas um canto na web.Tem muitos de vocês que eu leio e que eu gostaria de seguir nas redes sociais, de verdade. Pode não parecer, mas gosto de coisas simples, do cotidiano, mesmo sendo uma pessoa alternativa e gostando de ir a shows e essas coisas menos cotidianas.

Não sei se divaguei demais, mas esse texto é mais para mim do que para quem lê. Viver com medo é ruim. A gente perde a chance de conhecer pessoas e coisas maravilhosas. Claro, não é tudo que eu posto,na maioria das vezes faço fotos apenas para mim. Mas, olhando meu feed, vocês achariam que eu sou uma dona de casa que cozinha, assa pães e faz bolos? Pois é.O que eu gosto daqui é que, ao contrário da outra rede, a gente conversa de um jeito diferente. Mas por que na outra rede não podemos conversar também? Ainda acredito que nem tudo a gente posta. Não é por estética, é por preservação mesmo.

Sempre fui uma pessoa que aprecia a naturalidade e a leveza dos momentos. Sempre valorizei muito isso, sabe? Por isso, nesse post, decidi deixar bem claro o caminho do blog. Não posso ser o que não sou, não posso me limitar e deixar de escrever o que sinto, mesmo que eu divida isso em duas partes.Sabe, se você está com vontade de postar uma fotografia, independente da rede social escolhida, pode ser feia, pode ser bonita, pode ser só uma folha de papel, apenas faça. Isso faz muito bem para você, e quem sabe assim, laços bons e saudáveis podem surgir.

Hoje dei um passo importante para mim: vinculei o link do blog no Instagram, parei de ter medo, é algo tão simples, mas que tirou um peso enorme. Sabe, já tive cerca de quinhentas pessoas me seguindo nas redes sociais, o que para mim (e para a época) era muito. Hoje me contento com as 31 pessoas (somando os dois perfis). Fiz uma limpa no meu perfil e apaguei várias fotos que, como já mencionei, fiz apenas por mim. Então é sobre isso: fazer as coisas para si, assim a gente acaba mostrando nossa essência.

Em qualquer lugar há gente babaca, mas quando alguém te atacar pelo que você é, lembre-se, de que essa pessoa talvez não tenha coragem de ser quem realmente é.Continuem postando suas coisas  seja uma linha, algo legal que você pretende fazer, ou um hobby novo, mas postem. Não se preocupem se vão se identificar com vocês ou não. O que eu aprendi nesses mais de 20 anos blogando é que muita gente acompanha em silêncio, tem vergonha de comentar (ou não tem nada para dizer mesmo), tem vergonha de compartilhar seus espaços, e está tudo bem. Faça o que te faz bem, as coisas vão fluir melhor sem aquela cobrança autoimposta.

Falo em primeira pessoa aqui, porque não posso falar pelo outro, mas se você se identificou, sinto-me muito grata por ter lido até o final. Cada vez que escrevo aqui é um aprendizado novo, uma reflexão nova!

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Sinta-se a vontade para comentar, seu comentário é muito bem - vindo ♡