17 março 2026

Entre pausas, recaídas e recomeços

Escrever, apagar, recomeçar...

Como eu falei nesse post, estou tentando lidar de forma mais leve com as minhas redes sociais, separando as coisas e tudo mais. Tive crises severas nesses dias, mas ok… quando isso acontece eu tento fazer algo criativo para me distrair e não ver o tempo passar. Dessa vez foi o template que vocês estão vendo,embora não tenha sido algo tão criativo assim, já que reaproveitei um que eu já tinha.Por mais que eu gostasse do template escuro, pra mim estava difícil de ler. Enfim, eu nem me lembro mais exatamente sobre o que eu ia escrever… Ah, sim! Sobre o rumo deste blog.

Lidar com certas coisas sem terapia é complicado, ainda mais com crises severas. Em um desses dias, acabei apagando algumas postagens publicadas e também rascunhos. Não sei de fato, se me sinto tão à vontade para escrever sobre coisas hiper pessoais, como a clínica ou algumas conclusões que cheguei sobre a terapia, por isso apaguei o blog diário, ele serviu pro que veio e não havia mais sentido mantê-lo. Afinal, não foi uma escolha minha ter parado ( a terapia) é a única coisa que me permito dizer sobre isso.

Mas foi bom ter separado os Instagrams,levando em consideração que  além de parentes e amigos próximos, também há ex-pacientes  da clínica onde me internei, essa separação me ajuda a não me privar de postar coisas mais íntimas e também a me livrar do “fantasma” do stalker. É complicado escrever sobre isso, ainda mais quando meu ex-psiquiatra chegou a tratar como mania, mesmo com o meu esposo confirmando que essa pessoa me perseguiu fora da internet.Por isso, fico extremamente ansiosa em postar coisas, em escrever… pra mim, não é algo simples. Sofrer assédio já é pesado, mas não ser validada é ainda pior. Já se passaram três anos desde o ocorrido  e isso ainda me causa trauma. É complicado  quem nunca passou por isso dificilmente vai compreender.

Vídeo: Stalking: 10 mulheres são vítimas, por hora, no Brasil

Mesmo eu sendo uma pessoa que não expõe tanto a própria intimidade, sim, eu tive um stalker. E é ilusão achar que só pessoas “relevantes” passam por isso, ou que existe um tipo específico de mulher que sofre assédio. Ainda tem gente que acredita nisso.Mas voltando ao blog: não sei ao certo se vou retomar a tag OOTD por aqui. Talvez eu junte tudo em uma única postagem, ou talvez deixe isso restrito ao meu Instagram (fotos de look do dia), assim meu Instagram Social fica mais humano, não só com fotos de objetos e pets ꉂ(˵˃ ᗜ ˂˵). Meu esposo vive dizendo: “Talvez você conheça gente bacana virtualmente. Por mais difícil que isso seja hoje em dia, por mais que que quanto mais você mostra, mais interessante você se torna… Interaja, faça isso por você.” e eu concordo.

Confesso que já pensei várias vezes em desinstalar o Instagram e desativar minha conta. Mas aí eu lembro que dependo dele para saber de eventos que eu gosto de ir. Muitas datas eu só descubro por lá. Eu não uso Twitter (me recuso a chamar de X), e para alguém que não passa tanto tempo em redes sociais o Instagram acaba não sendo tão nocivo assim. Inclusive, o show do Gackt que eu amei, eu só fiquei sabendo por lá  por uma conta que nem sigo e foi recomendada pelo algoritmo.

Mas sendo sincera, no Instagram Social eu quase não olho o feed. Me arrependo de ter seguido tanta gente alternativa e ter criado um excesso de informação na minha timeline. E ultimamente, estou meio cansada para ficar separando o que me faz bem do que me dá gatilho para silenciar, faz parte.Fevereiro e março foram meses de muita sobrecarga emocional para mim, espero que abril seja mais leve! Também espero conseguir voltar a desenhar e me exercitar, sedentarismo é uma desgraça. Crises de ansiedade para quem tem TAG, são uma intensidade emocional difícil de explicar… a sobrecarga sensorial simplesmente acaba com a gente.

Mas enfim… nada como um dia após o outro. Nada como saber recuar quando é preciso, dar alguns passos para trás, retornar quando for preciso. Pessoas que poderiam ser nocivas na minha vida  a ponto de encontrar este blog e me incomodar por causa dele, já não fazem mais parte da minha convivência. Então sinceramente, não sei por que ainda me preocupo tanto.Não aceito estranhos na minha conta fechada e na aberta, também não há tanta exposição assim... O que me fez concordar com meu marido e voltar a postar aqui, em vez de manter um blog anônimo, foram alguns pontos:

  • Eu não me exponho demais

  • Há pessoas que se identificam com o que escrevo, isso é reconfortante  e eu aprendo com vocês

  • Vai ter Anime Friends, eu quero postar meu cosplay aqui também 

  • Eu gosto de escrever; às vezes escrevo e apago, mas ainda assim é uma forma de terapia pra mim

  • Já tentei parar de blogar por anos, mas a vontade sempre volta,então talvez seja melhor aceitar isso

Tenho pra mim, que ficar anônima não me livraria de sofrer assédio, sendo bem franca, a cor da minha pele já faz gente ignorante me atacar, ser alternativa também. Há coisas que só são importantes virtualmente e sinceramente? Tenho que parar de me importar com elas! Antes do assédio, por mais que eu sofresse de depressão e TAG, eu era outra pessoa, mais espontânea e natural na forma de lidar com certas coisas. Busquei ajuda psicológica e sofri desvalidação, preconceito, machismo e um tratamento médico que eu não merecia. Como posso me desfazer da única atividade saudável que mantenho constância?! É injusto comigo mesma.

No fim das contas, acho que este espaço sempre acaba me encontrando de novo, talvez esteja tudo bem não ter todas as respostas agora. Talvez seja só sobre continuar, no meu ritmo, do meu jeito,  mesmo que às vezes isso signifique pausar, recomeçar ou mudar o caminho e tudo bem

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