Ser gentil comigo

Por vezes pego-me vigilante demais, ansiosa demais e gentil de menos comigo. Como se eu precisasse dar conta de tudo, o tempo todo, sem falhar, sem pausa. Aí eu lembro do café esfriando devagar ao meu lado e da página em branco que não me cobra nada  só me espera. Respiro, diminuo o ritmo, e tento falar comigo com mais carinho. Nem sempre consigo, mas quando consigo, tudo fica um pouco mais leve.

Está mega difícil recomeçar, as cobranças vem e vão, o cansaço sempre está  aqui e permanece por dias. A depressão abocanha toda nossa percepção real de mundo, a gente se compara com o sangue jovem, por vezes acredito que estou atrasada, que perdi bom aproveitamento da minha vida, lembro-me de quem já partiu (jovem) e fico fitando minhas percepções como inimigas, o que deixa tudo meio que amargo!

Fico pensando (e penando pra fazer isso) se fiz escolhas certas, se foi bom eu ter me desfeito de vínculos, laços e ter recomeçado como eu queria fazer...sendo eu mesma, sem fronteira autoimposta!

All the bridges in the world

Won't save you

If there is no other side

To cross to

(...)

Take the world upon your shoulders

And burn, burn, burn, burn, burn

Sempre sou gentil com as pessoas, mesmo que de maneira racional tento ser honesta e esqueço que gentileza também deve ser colocada na minha frente, não pelo outro, mas por eu mesma. Meu primeiro psicólogo disse  que eu carrego o Mundo nas costas, que eu deveria deixar o peso de outras pessoas com elas mesmas e que eu não deveria me massacrar tanto, nunca concordei tanto!Mas é aquela coisa: quando estamos habituados a mecanismos, desacostumar e parar de reproduzir padrões tóxicos, é algo que demanda tempo e cá estou.

Estou compreendendo aos poucos onde devo ir e como devo chegar, á passos pequenos e vagarosos...sendo gentil caso eu tropece. Há dias que eu vou cometer o erro de ser mais severa comigo mesma, mas no outro dia compreendo que não se aprende de um dia para o outro. Há dias que me sinto velha e ultrapassada, que eu não tenho mais tempo e tão pouco jeito, noutros, eu percebo que a idade me trouxe uma certa experiência e tranquilidade, algo que aos meus vinte anos eu não tinha. Tudo é um processo e ao contrário do que pregam, não é performance e tão pouco alta performance, é apenas um estado de espirito que muda e isso de longe é um status, há dias e dias e tudo bem e eu estou compreendendo que está tudo bem no fim das contas.

Ser gentil consigo mesmo é tipo preparar um café quentinho pra alma. Nem todo dia a gente vai render, nem toda palavra vai sair bonita, e tá tudo bem. Às vezes, basta sentar com uma xícara de café, respirar fundo e levar do jeitinho que der  bagunçado, simples, verdadeiro. Se acolher também faz parte do processo. 


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