21 abril 2026

Reflexões sobre o Underground e a Vida Adulta

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Estava aqui refletindo sobre muitas coisas e em como é complicado ter feito parte de um nicho onde a maioria dificilmente amadurece. Eu ainda gosto de ouvir minhas músicas, ir a shows e consumir minhas coisinhas, mas eu não vivo nem respiro apenas isso, não sei falar só sobre esse assunto, afinal, tenho as preocupações naturais de uma vida adulta. Não sei se em outros meios é da mesma forma, mas infelizmente, no underground há muita gente frequentando a cena (com idade para serem meus pais) que ainda mantém o pensamento de quando eram adolescentes.

Eu não consigo mais frequentar bares, ainda mais depois que parei de beber. Já não tenho vínculos com as pessoas do meio porque os assuntos são sempre os mesmos e quando você tenta conversar sobre qualquer outra coisa, a conversa morre ali. Algo que me gera um certo receio de voltar para a região onde nasci é justamente esse estigma que o "alternativo de meia-idade" carrega. Eu ainda gosto de me vestir de forma alternativa, mas faz anos que não frequento a cena. O curioso é que isso afasta antigas amizades: elas acreditam que eu ainda pertenço àquele estilo de vida quando na verdade, eu apenas curto as minhas coisas no meu próprio espaço.

Tive uma amiga que dizia: "Não fico com cara do rolê, porque não dá futuro". -De fato, não dá mesmo. Encontrar alguém que pensa para além das ideologias do meio é atirar no escuro vendada, alguém que vislumbra um futuro real, em vez de apenas trabalhar para pagar a cachaça, ir a show cover todo final de semana e ficar discutindo na internet com gente que tem a metade da idade deles.

É um estigma que me faz perceber o quanto o pertencimento pode se tornar uma prisão quando não há evolução. É exaustivo notar que para muitos, a rebeldia do passado se transformou em uma estagnação confortável, onde o "ser autêntico" virou apenas um roteiro repetitivo de comportamentos previsíveis. Eu escolhi levar comigo a estética e a sonoridade que me formaram, mas deixei para trás a necessidade de validação de um grupo que parece ter parado no tempo. Hoje o meu "alternativo" é ter a liberdade de transitar por outros mundos, construir uma estabilidade e entender que a verdadeira contracultura na maturidade, é justamente ter planos, responsabilidades e uma vida que não cabe em uma mesa de bar discutindo as mesmas polêmicas de vinte anos atrás.

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