Saudade é uma coisa traiçoeira. Não falo no âmbito da toxicidade, mas sim de como por vezes, ela nos pega distraídos, a gente sente falta e fica imobilizado por tamanha falta. O mais louco disso tudo é que acabamos acreditando que estamos enlouquecendo, mas é só a saudade enfraquecendo as nossas defesas e qualquer tentativa de racionalizar.
Por mais que a galera seja contra, teu álbum favorito do Sabbath é o Heaven and Hell. É interessante como você fica bem no simples: gosta de milho (e broa de milho), gosta de uma saladinha bem temperada, gosta de dias calmos e nada mais. A saudade me pegou de jeito neste mês de abril e eu nem sei por que estou sentindo tanto, eu apenas sinto.
Entre moletons, jeans rasgados e blazers coloridos com camisa de banda, esse é você e é por isso que é somente você. Todos os dias eu quero ir embora daqui, sair desta cidade e pegar a estrada, então me recordo que não tenho muito para além da saudade. Eu adorava seu jeito desajeitado de andar (mexendo a cabeça igual a um pombo), seu sorriso sem mostrar os dentes, seus olhos grandes!
Sei lá, a saudade é um saco preto e pesado, frágil, pois está cheio e parece prestes a rasgar... Este é o abril em que eu mais pensei em você! Não quero acreditar que estou perdendo o juízo. Hoje a saudade bate no peito com os dois pés, junto com a tristeza que sinto por uma escolha que tive que tomar e não poder compartilhar com você,imagino você observando e analisando, enquanto pensa. Aquele 31/01/2022 poderia não ter existido. Eu deveria ter feito como na sua faixa favorita, Walk Away: virado a cabeça e ido embora.
Mas eu não fiz isso, fiz? Eu apenas sinto saudade e sinceramente, repeti tanto essa palavra aqui que não sei se soa redundante demais.
Hoje não estou em um bom dia, e em dias ruins é quando eu penso mais mas também é quando escrevo mais...
Preciso de um banho.
17:07 - 10/04/2026
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| Já que não tenho uma foto sua, vai do Bartek Borowiec mesmo, sempre achei vocês dois parecidos (eu acho essa foto dele linda) |
O dia 15/12/2022 tem estado muito presente na minha mente, talvez porque ali “conheci” um rapaz parecido com você. Ele estava bem empolgado e contou que gostava de Cheap Trick banda que conheci quando assisti Guardiões da Galáxia no cinema. Me arrependo de não ter conversado com ele. Ele contou uma história sobre ter ido ao show do Roupa Nova com alguém e disse que nunca tinha sido tão bem tratado na vida.
Fiquei quase o show todo perto dele e me sentia bem. Apesar de estar ouvindo as conversas "por tabela" nos intervalos, eu me divertia com o que ouvia e me sentia segura ao lado dele. Foi um show leve, embora tenha trazido uma lembrança que apertou meu coração logo na abertura (no show do Pantera), pois uma pessoa amiga não estava ali comigo. Aquele rapaz, que achei tão parecido com você, me fez rir e me ajudou a esquecer a saudade e o luto por um momento.
Talvez ele tivesse sido uma amizade boa de se ter. Não esqueço o cheiro de cigarro mentolado misturado com o perfume dele, estranhamente a mistura não me incomodava. Ele era uma "muralha" de quase dois metros mas não me intimidou, pelo contrário, prontificou-se a sair da minha frente para ficar ao meu lado. Tenho a leve impressão de que ele queria puxar papo, mas eu tímida, acabei ignorando (afinal, eu estava sozinha). O corte de cabelo dele era igual ao seu quando nos conhecemos, e a cor do cavanhaque ruivo destoava do cabelo escuro acho que ele tingia os fios, exatamente como você fazia.
A vida tem dessas, não é? Lembro até da camiseta dele: era amarela e se não me engano, do álbum Screaming for Vengeance, já que tenho uma igual. Talvez eu esteja com uma saudade dupla, tanto de você quanto da B., pois foi em um mês de abril que te conheci e no mesmo mês, foi a última vez que a vi com vida. Certas coisas a gente demora a processar e não há problema nisso.
Não sei meu amigo, se devo te esquecer e seguir adiante ou me preparar para te reencontrar ainda nesta vida. Nesses últimos seis anos a vida tem sido meio maluca para mim, não estou em uma fase boa e sei lá, sinto falta dos seus conselhos. O dia 31/01/2022 foi amargo, perdemos o contato de forma brusca e sigo sem entender isso até agora. Nesse meio tempo, conheci lugares bacanas onde eu gostaria que você estivesse com a gente. Sei que apesar de ser magro, você é bom de garfo (sim, eu só ia para Minas Gerais para "encher o bucho" e andar de quadriciclo ˶˃𐃷˂˶).
Ao contrário da última vez que te escrevi e das tantas outras que escrevi e apaguei , hoje me sinto leve. Não sinto tanto o peso da falta, apesar de ainda sentir MUITO a sua falta. É estranho dizer isso? Mas eu gostaria de reencontrar o seu "sósia" por aí. Gostaria de saber como a história do show do Roupa Nova acabou, pois antes de ele terminar de contar, o show do Judas Priest começou. Sei lá, quem sabe, não é?
Acredito que esta música que estou ouvindo do Cheap Trick, seja boa para finalizar esta segunda parte da carta (tenho o vinil dela, inclusive):
You're the world's greatest lover in my world
You're the world's greatest lover in my worldIn my heart, in my world
There is no one else In the whole wide world (música aqui)
Afinal, o que aprendi nesta vida é que o amor se manifesta de várias maneiras ainda mais eu, sendo demirromântica.
Te cuida, onde quer que você esteja.
Um forte abraço da sua "pequena" (e não tão magrela mais)!



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