Sobre o luto

Não estava programada esta postagem. A próxima eu só faria em março, mas a gente não programa as coisas da vida. E, assim como a vida acontece, a morte também acaba nos atravessando.Sou filha de pai ausente, uma pessoa que nunca fez questão de estar na minha vida, que, quando se separou da minha mãe, fez outra família e ainda fez questão de dar o mesmo nome do filho da outra para mim. Este espaço não é feito apenas de coisas bonitas. Não escrevo apenas para mim mesma, escrevo para quem precisa libertar-se de alguma dor. Deixe ir. Deixe morrer.

Meu pai partiu faltando dois dias para o aniversário da minha mãe. Os dois têm exatamente um mês de diferença: ele, aquariano; ela, pisciana. Na escola, eu tinha que conviver com o preconceito e o estigma de ser filha de pais separados, e o Dia dos Pais era dolorido para mim. Não bastava carregar o peso do racismo; havia também esse outro peso.

Ao meu pai que partiu, eu apenas perdoo. Deixo ir e sigo a minha vida com quem ainda está aqui, me ama, me apoia e me dá acalento. Acredito que as feridas não podem ser desfeitas, mas as cicatrizes estão aqui como um lembrete de que precisamos ser fortes. Isso não significa não chorar; significa ressignificar, mesmo que doa.

Para quem não viveu uma família disfuncional; para quem ainda tem seus entes queridos por perto; para quem guarda boas memórias: valorize. Para quem não tem, eu garanto que as coisas vão ficar bem.E sobre o luto, ele não é uma linha reta, não tem começo, meio e fim bem definidos. O luto é um processo que nos atravessa em ondas: há dias em que a dor parece suportável e outros em que ela retorna com força inesperada.- Há culpas, há silêncios, há perguntas que nunca serão respondidas,mas também há libertação.

Lutar contra o luto só prolonga o sofrimento, sentir é necessário, chorar é necessário e falar sobre é necessário. O luto nos ensina sobre limites, sobre humanidade, sobre o que realmente importa. Ele nos lembra que a vida é finita  e justamente por isso, urgente.Que cada um viva seu processo sem comparações, sem cobranças e sem prazos impostos. O tempo não apaga, mas transforma e no meio da dor aos poucos, a gente aprende que seguir em frente não é esquecer é honrar a própria história e escolher continuar.

Eu vou ficar bem, apenas precisava colocar pra fora, tenham um ótimo domingo e abracem, celebrem com quem está com vocês.

-Mah 🖤

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