23 março 2026

Aprendendo a permanecer



Hoje é aniversário de uma pessoa e não sei se ele ainda lembra de mim... Mas gostaria de ter pedido desculpas por ter me afastado sem avisar. Eu estava passando por problemas e não queria envolvê-lo. Era uma amizade de que eu gostava; eu não tinha uma amizade saudável há anos. Acredito que pelo fato de ele ser mais velho que eu, mais vivido e ter consciência de responsabilidade desde muito cedo, isso faz uma certa diferença.

Hoje tirei o dia para expurgar os demônios do meu passado, fazer as pazes comigo mesma, trazer de volta e mandar embora  mesmo que simbolicamente  certas pessoas. Eu estava precisando. Tive crises severas e, sinceramente, não tenho receio em expor certas coisas em meu blog. Dizem que se expor é permitir que gente indesejada entre em nossas vidas, mas sabem? Depois da experiência com um stalker e a internação (e terapia, é lógico), muitas percepções mudaram na minha mente. Não é necessário se expor para ser permissiva; para não ser, é necessária inteligência emocional  algo que eu não tive quando precisei me afastar dessa pessoa. O abraço dele era tão gostoso... É uma pena ele não ter uma boa autoestima, pois é uma pessoa muito querida para mim. Se eu tivesse a percepção que tenho hoje, talvez não teria me afastado, ou teria explicado a situação de forma mais detalhada, e não superficialmente como fiz.

Estou assistindo a Fruits Basket (eu só conhecia o mangá, nunca havia assistido ao anime), que fala sobre os signos do horóscopo asiático. Ele é Cão e eu sou Coelho, e é por isso que me sinto apegada a ele

(˚˃̣̣̥⌓˂̣̣̥ )づ♡. É engraçado como pessoas de Áries me tratam com um certo puxão de orelha, enquanto o signo oposto deles (Libra) só falta me pegar pela mão e colocar em uma cadeira alta para explicar as coisas xD. O engraçado sobre esse rapaz é que, por ser do signo de Cão e do começo do signo de Áries, ele era mais leve  um pouco pragmático demais, mas uma pessoa leve. Isso era algo que eu não tinha em minha vida havia anos. Sempre fui cercada por drama através dos meus amigos e, mesmo sendo canceriana, eu o-d-e-i-o drama; gosto de lidar com as coisas com as cartas na mesa.

Sendo bem franca, acho que preciso, de alguma forma, fazer o que estou fazendo. Usando uma expressão bem tosca para descrever: detetizar minha alma. Eu não quero nem de longe me reaproximar das pessoas com quem convivia. É algo para o qual estou me preparando, já que pretendo voltar para minha cidade natal e, infelizmente, não mudei muito o rosto durante os anos. É uma cidade pequena e sou reconhecível. Muitas vezes dei várias chances às pessoas e hoje me vejo sozinha, pois não sei lidar com pessoas boas como o cãozinho de Áries (ง ͠ಥ_ಥ)ง.

A minha cabeça ainda associa que a bondade e vínculos saudáveis não são para mim, mas eu estou lidando e aprendendo. Lidando e aprendendo, uma crise após a outra.

…E talvez seja justamente isso que mais doa admitir: não é que eu não queira coisas boas amizades, eu só ainda estou aprendendo a acreditar que posso tê-las sem estragar tudo no processo.

Hoje, olhando com mais calma, percebo que me afastei não apenas dele, mas de mim mesma também. Me escondi atrás do caos, das crises, das justificativas. Era mais fácil desaparecer do que correr o risco de ser vista de verdade, com todas as minhas falhas e confusões. Só que desaparecer também tem um preço  e ele cobra em silêncio, na saudade que fica, nas palavras que não foram ditas.

Se ele ainda lembra de mim, eu não sei. Mas eu lembro dele. Lembro da leveza, do abraço, da forma como as coisas pareciam um pouco mais simples quando ele estava por perto. E talvez essa memória não precise virar culpa, talvez ela possa ser só um lembrete de que eu sou capaz de sentir algo bom, de construir algo bom… mesmo que eu ainda esteja aprendendo a sustentar isso.

Não sei se algum dia vou ter coragem de pedir desculpas diretamente. Talvez não. Talvez isso aqui já seja, de alguma forma, um pedido lançado ao vento, atrasado, mas sincero. E tudo bem se nunca chegar até ele  porque, no fim, eu também estou pedindo desculpas pra mim mesma.

Por ter me abandonado.
Por ter acreditado que não merecia o que era leve.

Mas eu estou aqui agora,tentando fazer diferente. Tentando não fugir ao primeiro sinal de algo bom. Tentando entender que vínculos saudáveis não são uma armadilha, são um território novo e eu ainda estou aprendendo a caminhar nele.

E quem sabe… um dia, eu não precise mais “detetizar” a minha alma com tanta frequência. Talvez ela vire um lugar onde coisas boas consigam ficar.

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✉️ Carta para o Cãozinho de Áries

Oi, EM.

Sei que hoje é seu aniversário e decidi escrever isso mais por mim do que por você. Queria te pedir desculpas pela forma como sumi. Eu estava passando por crises psicológicas severas na época e, sem saber como lidar, me afastei para não te envolver nos meus problemas.

Sei que foi superficial e que você merecia uma explicação melhor. Hoje eu tenho consciência disso. Queria que soubesse que a sua amizade era um ponto de paz e leveza na minha vida, algo raro para mim. Seu abraço era acolhedor e você é uma pessoa muito querida.

Espero que você esteja bem e que continue sendo esse cara leve e prático. 

Feliz aniversário cãozinho !


 (ele gosta de ZZ  TOP)

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